GLOSSÁRIO

Neve

Conjunto de cristais isolados de gelo, de forma variada. Quando recém depositada, a neve tem 97% de ar/volume e densidade de 0,1g/cm3.

 

 

 

Gelo

Massa de cristais granulosos, compactados e engrenados resultante de transformações ocorridas na neve. A fase intermediária entre esses elementos chama-se firn ou nevée.

 

 

 

Geleira

Massa continental de gelo de limites definidos, que se movimenta lentamente por ação da gravidade. Ver fotos abaixo.

 

 

 

Manto de gelo

Geleira dômica, de grande extensão e espessura, não circunscrita pela topografia, com mais de 50.000 km2 de área. Manto de gelo da Antártica..

 

 

Casquete de gelo      

Semelhante ao manto, porém com menos de 50.000 km2  . Casquete de gelo da ilha Rei Jorge, Antártica Ocidental ( área mais alta, dômica,da foto).

 

 

 

Campo de gelo

Geleira confinada entre montanhas, com área de 10 – 10.000 km2 . Campo de gelo de Columbia, Montanhas Rochosas (área mais alta da foto, acima da cascata de gelo).

 

 

Geleira de vale  (alpina ou de montanha)

Geleira que ocupa vale montanhoso, alimentada por massa de gelo acumulada em circo glacial (ver). Geleira de Marmolada, Tirol (Itália).

 

Geleira de circo

Massa de gelo que ocupa depressão ou bacia cercada de paredes rochosas. Parte mais alta da foto anterior).

 

 

 Geleira de escape

Geleira semelhante à de vale drenando manto, casquete ou campo de gelo. Geleira da ilha Rei Jorge, Antártica Ocidental.

Geleira de maré

Geleira que atinge o litoral, podendo adentrar o mar. Parte mais baixa da foto, entre as rochas escuras.

Plataforma de gelo

Placa contínua de gelo flutuante sobre o mar, a partir de manto de gelo. Plataformas de gelo de Ross, e de Ronne e Filchner, Antártica (áreas atrás dos dois recorte da costa, acima e abaixo, na foto)

 

 

Língua de gelo 

Semelhante a anterior, porém menor, ligada a geleira de escape ou de maré.

 

Iceberg     

Massa de gelo continental flutuante, desprendida da margem de geleira em lago ou de geleira de maré ou plataforma de gelo, no mar. Mar de Ross, Antártica.

 

 

Acumulação      

Processo que adiciona neve ou gelo a uma geleira.

 

 

 

Ablação    

Processo que leva à perda de neve ou gelo da geleira (fusão, evaporação, erosão e separação de icebergs).

 

 

 

Balanço de massa

Razão entre a massa de gelo ganha por acumulação e a perdida por ablação.

 

 

 

Água de degelo

Água produzida por derretimento do gelo e neve de geleira por radiação solar, calor por fricção basal ou  grau geotérmico. Geleira de Saskatchewan, Montanhas Rochosas, Canadá.

 

 

Zona de acumulação 

Região na parte alta da geleira em que a deposição de neve supera a ablação.

 

 

 

Zona de ablação

Região na parte baixa da geleira onde a perda de gelo e neve supera o seu acúmulo.

 

 
 

Linha de equilíbrio

Limite entre as zonas de acumulação e ablação.

 

 

 

Fluxo de gelo

A movimentação da geleira ocorre pela ação de gravidade. A geleira movimenta-se lentamente por deformação interna do gelo, deslizamento basal sobre o seu assoalho e deformação de seu substrato.

 

 

 

Regime térmico

Condição de temperatura do gelo da geleira. O gelo é frio quando sua temperatura está abaixo do ponto de fusão por pressão e quente, quando a temperatura está acima ou próximo deste.

 

 

 

Crevasse 

Fratura ou fenda na geleira causada por extensão e ruptura do gelo (fendas paralelas na margem da geleira de Atabasca ).

 

 

Cascata de gelo

Região na parte alta da geleira onde inclinação abrupta do substrato causa aumento na velocidade do fluxo de gelo e seu fendilhamento intenso. Degraus na parte mais alta da geleira de Atabasca, Montanhas Rochosas, Canadá.

 

 

Abrasão   

Desgaste mecânico do assoalho rochoso pelo atrito de partículas rochosas transportadas pelo gelo. Estrias glaciais sobre arenito devoniano, Witmarsum, PR.

 

 

Remoção  

Erosão glacial por arrancamento de fragmentos de rocha do assoalho da geleira por ação de congelamento e degelo e/ou ação da água (extremidade direita da rocha). Montanhas Rochosas, Canadá.

 

Estriação  

Riscos ou sulcos retos, de tamanho variado, geralmente paralelos ou entrecruzantes, formados por abrasão sobre o assoalho da geleira. Zona plana, à esquerda da rocha.

 

 

Forma-p   

Canal subglacial escavado no embasamento pela ação da água de degelo. Alasca, EUA.

 

 

Fraturas de fricção

Fraturas ou sulcos encurvados gerados por abrasão glacial sobre o embasamento, freqüentemente formando conjuntos alinhados.

 

 
 
Forma alongada moldada     

Saliência ou bossa convexa do embasamento formada por abrasão glacial, estriada em toda a sua volta. Dorso de baleia em granito, rio Tietê, Salto, SP.

 

 

Forma montante-jusante   

Saliência ou bossa assimétrica do embasamento formada por abrasão glacial, mostrando um lado pouco inclinado (voltado para a origem da geleira) estriado e lado oposto mais inclinado, escavado. Rocha moutonnée, Montanhas Rochosas, Canadá.

 

Vale glacial

Vale com perfil em forma de “U”, anteriormente ocupado por geleira. Montanhas Rochosas, Canadá.

 

 

 

Próglacial  

Região plana imediatamente à frente da margem de geleira. Montanhas Rochosas, Canadá.

 

 

Planície de lavagem 

Planície de depósitos glacio-fluviais (areias, cascalhos) acumulados sob ação de água de degelo. Forma um vale fluvial do tipo entrelaçado, com muitos canais e bancos de areia e cascalho.

 

 

 

Kettle       

Depressão circular em planície de lavagem gerada por derretimento de massa de gelo soterrado.

 

Kame         

Vários tipos de depósitos de materiais transportados (areias, cascalhos) pela água de degelo e depositados em contato com a geleira, na sua frente ou lado.

 

 

 

Esker   

Colina linear, sinuosa de sedimentos grossos (areias e cascalhos) acumulados em canal de água de degelo subglacial, exposta quando do recuo da geleira. Minnesota, EUA.

 

 

Transporte glacial

A geleira transporta partículas e fragmentos rochosos coletados pelo degelo na sua superfície, no seu interior a em sua região basal. Faixas de detritos na parte superior, média e inferior de geleira, Alasca, EUA.

 

Till    

Depósito maciço composto de mistura não selecionada de partículas de rochas, de tamanho variando desde argila a matacão, angulosas a arredondadas. Clastos do till podem ter facetas e estrias. Alasca, EUA.

 

 

Tilito 

Correspondente consolidado (rocha) do till.

 

 

 

Diamicto  

Sedimento semelhante ao till, cuja origem não está determinada. Alasca, EUA.

 

 

 

 

Diamictito 

Rocha semelhante ao tilito, cuja origem não está determinada.

 

 

 

Till de alojamento

Depósito formado por agregação subglacial de detritos liberados da base da geleira.

 

 

 

Till de ablação

Depósito formado subglacialmente por degelo de geleiras estagnadas.

 

 

 

Till de deformação

Depósito gerado por deformação e homogenização de sedimentos subglaciais impregnados de água.

 

 

 

Forma de bala (ferro de engomar)

Forma típica de clasto com  uma extremidade pontuda e outra larga, fraturada geralmente contém estrias glaciais. Formado subglacialmente, durante processo de alojamento. Clastos em forma de bala sobre till, geleira de Atabasca, Montanhas Rochosas, Canadá.

 

 

Pavimento de clasto glacial

Concentração horizontal de clastos, formando uma espécie de pavimento ou assoalho de clastos em mosaico. Pode estar associado ao processo de alojamento. Subgrupo Itararé (P-C), Capivari, SP.

 

 

Morena      

Crista linear de detritos glaciais que acompanha lateralmente a geleira, ou arqueada, junto à margem frontal da geleira, acumulada durante o movimento desta. Série de morenas laterais encurvadas, geleira de Atabasca, Montanhas Rochosas, Canadá.

 

 

Drumlin    

Colina de detritos glaciais de forma oval, perfil assimétrico e dimensões variadas, produzida por deformação glacial. Ocorre geralmente em enxames.

 

 

 

Fluvio-glacial      

Processo e depósito gerado pela ação de corrente de água de degelo. Montanhas Rochosas, Canadá.

 

 

 

Glacio-lacustre  

Processo e depósito típico de lagos adjacentes a geleiras. Montanhas Rochosas, Canadá.

 

 

 

Varve       

Par de camadas sedimentares, a inferior clara, mais espessa, normalmente de silte, e a superior delgada, de argila escura, depositado anualmente em lago glacial. Alasca, EUA.

 

 

Varvito      

Correspondente litificado da varve.

 

 

Clasto caído       

Clasto liberado do gelo flutuante, afundado sobre estrato sedimentar do fundo de lago ou mar.

 

 

Periglacial

Ambiente glacial ou não glacial caracterizada pela presença de solo perenemente congelado.

 

 

 

Solo perenemente congelado

Solo em que a água dos poros está permanentemente congelada, típico de ambiente periglacial.

 

 

 

Glacio-marinho

Parte do ambiente marinho no qual os processos e depósitos sedimentares são influenciados pela presença de margem de geleira de maré, plataforma ou língua de gelo. Baía do Almirantado, ilha Rei Jorge, Antártica Ocidental.

 

 

Glacio-estuarino

Estuário influenciado pela presença de geleira que atinge o mar. Ex.: fiorde

 

 

 

Banquisa

Camada de gelo formada pelo congelamento sazonal da água do mar. Mar de Ross, Antártica.

 

 

Zona de aterramento

Faixa a partir da qual uma geleira de maré ou geleira que alimenta plataforma de gelo desliga-se do assoalho e torna-se flutuante.

 

 

 

Causas das glaciações

Dentre as várias causas atribuídas às glaciações temos: a)variação na radiação solar; b)variação na composição da atmosfera terrestre; c) alteração na posição paleogeográfica dos continentes e oceanos; d) extra-terrestres.

 

 

 

Glaciação

Período longo de tempo caracterizado por condições climáticas associadas à máxima extensão das geleiras.

 

 

 

Interglacial

Período longo de tempo caracterizado por condições climáticas associadas à extensão glacial mínima.

 

 

        A ordem dos termos segue o cap.11: Ação Geológica do gelo, in: Teixeira, W., Toledo, M.C.M. de, Farchild, T.R. e Taioli, F. (eds), Decifrando a Terra, São Paulo: Oficina de Textos, 2000.